Lula e Serra ignoram bate-boca e falam de futebol em cerimônia
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da Reuters
No mais recente episódio, Lula chamou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), de "babaca", durante a reunião ministerial realizada ontem.
Discursando antes de Lula, Serra, provável candidato à Presidência, lamentou ter encontrado poucos palmeirenses como ele no laboratório de medicamentos Cristália, em Itapira (SP), que inaugurou novas instalações.
"Eu, infelizmente, quando cheguei --infelizmente não, felizmente-- havia um grupo de funcionários me aguardando. Fui lá cumprimentá-los, perguntei se tinha algum palmeirense e tinha muito pouco, infelizmente. Mas o deputado [estadual, Barros] Munhoz [PSDB] me garante que Itapira tem mais palmeirenses do que parece", disse.
Serra ainda perguntou o time da plateia e, percebendo que não era o seu, disse: "Estamos mal. O governador não pode ser perfeito".
Lula, que torce para o Corinthians, não perdoou e disse que tinha ganho o dia por ver um palmeirense encontrar mais corintianos.
"Foi Deus que botou na cabeça do [ministro da Saúde José Gomes] Temporão a ideia de me convidar para vir aqui hoje, porque não tem nada mais importante para um corintiano do que ver um palmeirense perceber que tem tão pouco palmeirense aqui e tanto corintiano. Serra, já ganhei o dia por isso", afirmou o presidente.
Lula também mandou recado à oposição ao afirmar que o país aprendeu a andar para frente. "Não adianta ficar pensando que este país vai andar para trás, este país aprendeu a andar para a frente".
Lula usa futebol para cutucar Serra
Plantão | Publicada em 22/01/2010 às 14h24m
Flávio Freire, O GloboITAPIRA - Um dia depois de chamar de 'babaca' o senador e presidente do PSDB, Sérgio Guerra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) baixou o tom e adotou um discurso mais amigável. Durante a cerimônia de inauguração de um laboratório farmacêutico, em Itapira, no interior de São Paulo, Lula fez questão de abrir o discurso chamando de `caro amigo´ o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), também presente.
Em meio a cochichos ao pé do ouvido e troca de bilhetes, Lula e Serra usaram apenas o futebol para cutucar um ao outro.
No discurso, Serra disse que ficou decepcionado por não encontrar entre os convidados tantos palmeirenses. Minutos depois, Lula não perdeu a deixa.
- Não tem nada mais importante para um corintiano do que ver um palmeirense perceber que tem tão pouco palmeirense num local. Já ganhei o dia por isso - disse o presidente, rindo.
Ainda no discurso, Lula voltou a criticar quem torce contra o país.
- Às vezes, leio jornal, vejo TV ou ouço rádio e parece que o mundo vai acabar em dois minutos. Mas quero dizer que não adianta pensar que esse país não vai dar certo. O país aprendeu a andar para frente para se desenvolver - disse Lula, que almoçou no laboratório antes de partir para inauguração de um centro de pesquisa em etanol em Campinas.
Lula e Serra riem juntos após bate-boca de PSDB e PT
Gracejos entre presidente e governador ao microfone se repetiram em cochichos entre os dois
Carolina Freitas, da Agência Estado
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Dirigentes petistas e tucanos passaram a semana trocando ofensas após a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ter levantado a possibilidade de o PSDB interromper avanços do governo Lula, caso volte ao governo. Serra chegou a dizer que não entraria em "baixaria", mas acabou acusado de "hipócrita" pela direção do PT.
Lula e Serra visitaram juntos as instalações da fábrica, discursaram e assistiram sentados lado a lado às falas de outras autoridades diante de uma plateia de 400 pessoas, a maioria funcionários da companhia. Eles também almoçaram juntos com diretores da empresa.
Logo no início do discurso, Serra perguntou qual era o time preferido do público. Ao perceber que os torcedores do Corinthians eram maioria, o governador palmeirense sorriu e disse: "Vocês vejam que o governador não pode ser perfeito." Corintiano, Lula riu.
Na sua vez de falar, o presidente aproveitou a deixa e disse que o fato de ter ido ao evento só poderia ter sido vontade de Deus. "Nada é mais importante para um corintiano do que ver um palmeirense perceber que aqui tem tão pouco palmeirense e tanto corintiano. Serra, eu já ganhei o dia." Sentado numa cadeira próxima ao presidente, o paulista, um pouco sem jeito, também riu.
Gracejos
Os gracejos entre presidente e governador ao microfone se repetiram em cochichos entre os dois, enquanto outras autoridades discursavam. Se no início da cerimônia, Lula entrou sorridente e Serra com semblante fechado, bastou o presidente puxar papo para o quebrar o gelo.
Um bilhete enviado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) a Lula provocou gargalhadas entre os dois chefes do Executivo. Lula revelou durante o discurso que o senador escrevera no papel a história de um ex-dirigente da Cristália que, alguns anos atrás, havia saído da direção da empresa para se filiar ao PT. "Naquela época, disseram a ele que patrão não podia entrar no PT."
Lula e Serra fizeram questão de mostrar conhecimentos sobre a cidade que visitavam, Itapira. Depois que o prefeito Antonio Hélio Nicolai (PV) ter dito que Lula era o primeiro presidente a visitar a cidade em 190 anos de história, Serra lembrou que esteve no município três vezes nos últimos dois meses.
"É um prazer estar mais uma vez em Itapira", declarou o governador. Lula não perdeu a oportunidade e lembrou que também esteve na localidade em 1982 e 1986, quando estava em campanha eleitoral para deputado. Ele disse que, naquela época, não foi convidado pelo dono da Cristália para visitar a fábrica. "Ele tinha medo do PT naquela época."
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